A Xaréuzada anda Observando algo por aí…

outubro 3, 2009

As últimas semanas foram umbocado pedreira para alguns xaréus…Oficinas Humano Mar, testes de elenco e figuração para o filme SUDOESTE, e muitas coisas mais…
Por falar em Oficinas Humano Mar, gostaria de ressaltar que o OBA (Observatório Arraial) está agitando…A galera tá toda animada em pôr pra frente e fazer esse grupo andar com a Déia, Dani, TX, Rapha, André, Felipe, Martha, Marcelo, Baronesa e quem mais quiser entrar ( e desculpem se esqueci de alguém…Por favor, me lembrar…e mais uma vez: MIL DESCULPAS)… Durante a semana de 14 a 19 de setembro os xaréus estivaram presente nas oficinas que rolaram na Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus, no morro da Cabocla e, no dia 19, finalizaram as oficinas com a MosCA (Mostra de Cinema Ambiental) que mobilizou a criançada do morro e seus pais…Para rever a vinheta do evento com o nome dos filmes exibidos >clique aqui<.

A Xaréuzada invadiu também as oficinas de São pedro da Aldeia, marcando presença quase todos os dias…Confira aqui a vinheta do MosCa de São Pedro também…

 

E para quem quiser saber mais sobre o projeto Humano Mar e o que é essa tal MosCA é só acessar o site http://www.humanomar.com.br
Lá você vai encontrar tudo o que quiser saber e um pouco mais…

Seja um Xaréu observador também…


Aconteceu!

setembro 17, 2009

Na sexta-feira, 11 de setembro ( PS.:Nada a ver com as torres gêmeas do World Trade Center! ) aconteceu mais uma sessão do Cine Xaréu!
Assistimos a dois filmes que contam a história de poetas populares do Brasil. O primeiro filme foi CHAMA VEREQUETE, um curta documentário que teve a direção de Luizs Arnaldo Campos e Rogério Parreira. O filme conta a história do ‘Pai do carimbó’, Verequete, que legitimou e divulgou pelos quatro ventos a cultura Carimbó.
Em seguida assistimos a atração da noite: PATATIVA do ASSARE: AVE POESIA. Um filme documnetário que conta a vida desse poeta que marcou a história do país. Patativa, que era semi-analfabeto escreveu poesias que mostram a realidade do sertão durante uma época de durezas para todo o país. O documentário mostra em especial o lado político de seus atos, a confecção de seus poemas e sua relevância para a cultura brasileira.
Para quem quer saber um pouco mais sobre a cultura e a política através da cultura brasileira fica esta indicação. Procure o Cine Clube mais próximo e assista!


O mar está pra XARÉU!

setembro 9, 2009

O mar está pra XARÉU! E esses peixes que estavam sumidos dos nossos mares culturais voltam a cair na rede afagante das atividades cineclubistas.

A Xaréu Produções & o Cineclube Xaréu orgulhosamente convidam: SESSÃO PATATIVA: AVE POESIA. O Cineclube Xaréu continua arfando em sua jornada com a garganta seca e o céu da boca cheio de estrelas contra o dragão de roliúdi. É ele, através não só dos seus filmes enlatados, mas também das duas distribuidoras – majors – que nos proíbem – a nós brasileiros – de ver o que tem de melhor sendo feito em cinema aqui por nossas bandas. Nunca vemos, nas poucas e minguadas salas de cinema, aqueles filmes com cheiro de povo, com gosto e cara de gente como a gente, filmes feitos pra pensar e ter prazer, não pra castrar, anestesiar e deixar oco. Acontece que, mesmo os filmes feitos no Brasil, só conseguem ser exibidos em nossos cinemas se forem distribuídos para as salas de cinema pelas multinacionais. Assim, a não ser que nossos cineastas façam filmes imbecilóides, comportadinhos e cheirozinhos e comam na mão da Globo Filmes, raramente conseguirão ser exibidos neste país culturalmente cerceado. Por isso, nós do Cineclube Xaréu, estamos participando de um esforço coletivo que pretende reunir todos os cineclubes brasileiros para a criação de uma rede nacional alternativa de exibição, coordenada pelo Conselho Nacional de Cineclubes – CNC. A primeira aventura nossa neste campo & contracampo será o lançamento nacional do filme PATATIVA DO ASSARÉ: AVE POESIA (veja o trailer em: http://www.youtube.com/watch?v=3320mCajd-I ), do cineasta Rosemberg Cariri – longa metragem que traça a trajetória de um dos nossos maiores poetas populares, no ano do seu centenário. Como sempre, a bela CASA DA POESIA nos abre as portas, os braços & o peito e nos acolhe. Não há melhor lugar na Região dos Lagos para um lançamento como este. No canto histórico de Arraial do Cabo – RJ (Rua Nilo Peçanha, n° 02, ao lado da igrejinha da Praia dos Anjos). Lá mesmo onde já fizemos as sessões do “Macunaíma”, do “Jongo, Calangos e Folias”, do “Kiriku” e do “Persépolis”, filmes que se completam em todas as dimensões de suas diferenças e ajudam a compor o mosaico do que somos e da qualidade de cinema, de relações e de vida que queremos enquanto Xaréus. Você deve estar pensando: “Até que enfim esse povo da Xaréu resolveu botar as caras na rua de novo. Já era tempo, né?!” Pois é querid@, só que não sumimos não. Nos dois últimos meses, mais que nunca, botamos a cara na reta e a mão na massa. Demos o passo além do nariz e rompemos com a barreira do som & da luz deixando de ser meros espectadores e nos tornamos realizadores. Cê deve ter visto isso, né baby, aquele monte de gente maluca transitando entre o trash & o épico, o sagrado & o profano, filmando por aí pela cidade aqueles dois curtas, o “X-Coração” & o “Em Busca do Mar”, que serão lançados no ENCONTRO INTERNACIONAL DE CINEMA, que estamos apoiando e ajudaremos a acontecer em Arraial em Novembro. Também estamos ajudando na produção do longa-metragem SUDOESTE, que ajudamos a trazer aqui para Arraial e que será filmado nos meses de outubro & novembro e que você pode participar dele se quiser, basta aparecer no teste de elenco que estaremos fazendo no cinema de Arraial, no domingo, dia 13/09, das 9:30 às 17h. VEREQUETE, O REI DOS TAMBORES, documentário, 18 minutos, 2002, Direção e Roteiro: Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira, será o curta de abertura de nossa SESSÃO PATATIVA: AVE POESIA. Nos vemos lá então. Olhos nos olhos… Para mais uma noite de cinema & sonho, calor & carinho, agora com dois filmes que tem na pele a crosta da terra… Da nossa terra. Beijos & abraços carinhosamente libertários! Xaréu Produções & Cineclube Xaréu.


Xaréu

agosto 29, 2009
Breu… De repente, faz-se a luz! Feixes multicoloridos cortam o espaço sobre nossas cabeças e pintam a tela a nossa frente de cores ou tons de cinza, mas acima de tudo de sonhos, emoções, idéias, sentimentos. Bem-vindos ao CINEMA! Besteira uma imagem dizer mais que mil palavras… Nos filmes quase sempre elas estão juntas e junto delas há música, ruídos, gemidos de prazer e de almas… Às vezes há quadros, prédios, dança, livros, poesia… Quase todas as artes cabem numa só, numa confluência expressiva capaz de dizer tanto, tanto! E nós aqui, sozinhos, no breu frontal a tela, nos permitindo, esquecendo o tempo e a vida, saltando no escuro para dentro de nós mesmos, levando conosco uma nesga das imagens que dançam com a menina dos olhos.
Eu quis tocar você com as imagens que fiz. Quis dividir algo que me escapa, que me expande. Quis que sonhássemos juntos, ao menos nos instantes projetados, já que aqui, do lado de cá da tela, no mundo real de carne, osso, sangue – e quanto sangue – suor, cimento e pedra.. Aqui, tá cada vez mais difícil sonhos e projetos coletivos, sermos coletivos, sermos mais que nossos próprios umbigos sedentos de algo menos mesquinho e medíocre.
E as lágrimas correm… No rosto da atriz na tela e também no meu… Protegido pelo breu… Salgadas elas, você sabe bem…
Há cada vez mais filmecos adocicados, rançosos, globais, entorpecedores, tentando nos convencer a consumir, consumir… E que, no entanto, nos esvazia, nos torna ocos, secos, sós… Põem nossa espontaneidade em coma profundo, nos impõem máscaras que vestimos e usamos por aí, todos os dias, uns com os outros, com nossos amigos, nossos amores… Quando vemos a máscara já está pregada à cara, já nos roubou o que éramos, só nos resta ela e a ela nos apegamos com um amor submisso, quase canino, somos ela, tornamo-nos ela… A farsa venceu!
No entanto o cinema é salgado! Casa-se bem com as lágrimas, mas também com o mar, com a nossa profundidade e a dos oceanos… É o sal de prata a substância existente na película que a torna sensível à luz e permite capturar as imagens e o tempo, aprisioná-los. O sal também está no DNA do nosso cinema. Em 1898, quando Alfonso Segreto trazia para o Brasil a primeira filmadora, ao entrar na Baia de Guanabara, girou a manivela. Nascia sobre as águas o cinema brasileiro.
Com tanta intimidade assim entre o mar e o cinema, Arraial, mais que qualquer outro lugar do mundo se credencia a ser amante do cinema, a abraçá-lo, a bejá-lo sofregamente, a torná-lo grávido e fazê-lo parir filhos rebeldes e lindos. Nosso mar é daqueles que tiram o fôlego não só de quem mergulha, mas também de quem olha… Emociona, encanta, revolve por dentro… Nos atinge em cheio e nos marca pra sempre mesmo antes de nos salgar a pele… Assim como o cinema.
O Cinema Novo, até hoje o principal movimento do cinema brasileiro, nasceu aqui em nossas praias. Arraial do Cabo (1959), de Paulo César Saraceni, é considerado por todos o seu marco inicial. No próximo dia 14 de novembro de 2008, estaremos criando o Cineclube Xaréu.
Uma página a mais nessa história cabista de mar e de amar” o cinema, de cinemar. Desse mar que nos dá tudo vem também o sabor, a fluidez e a agilidade do xaréu, esse peixe pleno de nobreza que está tão entranhado na cultura popular local que virou carinhoso apelido do ser humano cabista e agora batiza nosso cineclube..
Este é um convite raro. Igual a este só há 40 em todo o universo! A intenção do Cineclube Xaréu é, no entanto, tornar menos raros nossos encontros prum bom bate-papo regado a bons filmes, bem diferentes daqueles feitos pelo “Dragão de Roliúdi”. Filmes brasileiros, latino-americanos ou de qualquer parte do mundo. Sempre difíceis ou mesmo impossíveis de serem achados nas locadoras por aí… No entanto, um cineclube feito por seres tão descontentes com a mesmice, a pasmaceira e a babaquice globalizada, não quer apenas provocar encontros entre espectadores. Quer também que façamos nossos próprios filmes, c